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Provocação

Postado: quinta-feira, 20 de maio de 2010 | Por : Yuri Padilha | Em: , , , , ,

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C.S. Lewis afirmou: "Se você quiser uma religião que te faça feliz, eu não recomendo o cristianismo".

Como VOCÊ reage a tal afirmação?

Propaganda versus Evangelismo

Postado: quinta-feira, 8 de abril de 2010 | Por : Yuri Padilha | Em: , , , , , , , ,

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Ariovaldo Ramos

Somos especialistas em fazer propaganda enfatizando exatamente aquilo que não somos. Isto é quase sempre uma regra. No desespero de atingirmos um grupo grande de pessoas, atropelar a ética se torna algo comum. É preciso perceber que a ética para a elaboração de mídias de produtos não pode ser utilizada para a disseminação do evangelho.

Isto se dá por que o evangelho não deve ser associado a um produto. A publicidade de um produto quase sempre busca encontrar um apelo emocional para que pessoas o comprem. Mas emocionalismo não é o sentimento correto daquele que conhece verdadeiramente o evangelho; pois é algo volúvel e que não durará muito tempo. Quem se entrega a apelos emocionais e compra algo, quase sempre irá trocar sua aquisição por uma “melhor” num futuro próximo.

Outro grande problema que enfrentamos ao falar em evangelismo, é tentarmos aplicar conceitos de marketing à igrejas. Conceitualmente, igrejas costumam ser exatamente o contrário do que sua divulgação afirma. Esta dualidade entre a mídia e a realidade, provoca decepções tremendas. E também não deixa de ser uma mentira. Já vi muitas pessoas que ficaram impressionadas por práticas de rua, ou até mesmo por eventos ditos de “evangelismo”, que abusavam de expressões artísticas. Mas ao chegar no culto de domingo, tais pessoas se sentiam enganadas. Parecia que todo aquele ambiente legal foi apenas uma isca para se apresentar mais “do mesmo de sempre”.

E talvez o tipo mais comum de decepção provocada pela propaganda é quando uma pessoa se filia a uma igreja na perspectiva de viver com pessoas melhores que ela mesma. Isto é algo que quase sempre acaba mal. Afinal, a igreja é a comunidade dos arrependidos; daqueles que buscam a vida em santidade, mas… o quanto somos melhores que os de fora? Na ânsia de estar andando com pessoas “sem problemas”, muitos acabam formando grupos organizados pelo pior tipo de afinidade: suas dificuldades. E estes tem tudo o que é necessário para promover grandes tragédias. Mas se nosso marketing abordasse a verdade, pessoas saberiam que em nosso meio, trabalhamos como um hospital: muitos doentes, buscando constante recuperação.

Conheço uma igreja que possui um banner com a foto de algumas pessoas escolhidas a dedo em sua fachada. Porém, com o tempo, algumas pessoas abandonaram a fé. Este banner por muitos é considerado como uma propaganda que deu errado e que, com certa urgência, necessita ser substituído. Inclusive há quem defenda o uso de bancos de imagens (com imagens pessoas desconhecidas) na confecção de uma nova fachada. Mas… há algo mais autêntico do que o velho banner? O velho representa a verdade. Diz que no nosso meio há pessoas com problemas. Que alguns talvez não chegarão até o fim, apesar de suas juras de amor a Cristo. E também revela que temos problemas como qualquer outra pessoa.

Esta é a publicidade da verdade; que não mente para se alcançar resultados. E com certeza, um evangelismo baseado em mentiras, não pode ser usado para representar aquele que é o caminho, A VERDADE e a vida.


Fonte: http://www.ariovaldo.com.br/2010/propaganda-versus-evangelismo/

Espiritualidade

Postado: quinta-feira, 1 de abril de 2010 | Por : Yuri Padilha | Em: , , , , , , , , ,

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Ricardo Gondim

No comecinho de 1990, fui convidado para participar da organização da Aliança Evangélica Brasileira (AEVB). Reunimo-nos em Teresópolis para esboçar os primeiros momentos, mas não lembro nada do planejamento. Ficaram apenas as devocionais lideradas pelo Osmar Ludovico, que me marcaram de forma indelével. O Osmar falou sobre oração contemplativa, "Lectio Divina", meditação. Porém eu vinha de uma tradição pentecostal e nada sabia sobre esses e outros exercícios espirituais. No segundo dia, houve um quebrantamento e eu me derreti em lágrimas. O Espírito de Deus nos moveu de uma forma única.

A prática de orar em silêncio, de aquietar a alma para meditar na Palavra e de escrever ressonâncias depois que alguém compartilha percepções espirituais, me deixou boquiaberto. Eu acreditava em preces barulhentas. Achava que Deus gostava de decibéis exagerados. Aliás, preciso confessar, eu mesmo já insuflei auditórios com a clara intenção de produzir frenesi para "mostrar" categoricamente que Deus "operava em nosso meio". Mas o Osmar Ludovico me conduzia por um novo e fascinante portal. Ao seu lado, eu subia escadas que tocavam o céu. Osmar tem uma voz suave, que, ao pronunciar o nome de Deus, ainda me comove. Ali começou um novo ciclo em minha devocional.

Passei a desejar uma espiritualidade de afetos. Abandonei o esforço de fazer de minhas orações uma técnica de colocar Deus em movimento. Destruí o altar que eu erguera para acionar o divino. Reaprendi que orar é inspirar ausências. Sem muitos barulhos, colocar a alma numa quietude parecida com a que o sumo sacerdote experimentava ao entrar no Santo dos Santos. Noto que os cultos, as missas, se tornaram agitados. Pergunto-me se o ritmo alucinante das músicas e das danças não são fugas. Na agitação, evita-se o confronto com a interioridade e, consequentemente, com Deus. Agora, só agora, começo a intuir o significado de orar no quarto fechado, em secreto.

Uma oração que não inclua o mundo inteiro apequena Deus e mostra o grau de individualismo de quem ora. Não consigo mais entender Deus como um deus tribal que faz chover e não deixa que gafanhotos destruam plantações. O mundo geme e entendo que as preces precisam ser situadas em relação a todos, inclusive africanos exilados, haitianos sem teto, europeus desiludidos com o materialismo e brasileiros inundados em periferias urbanas. Deus não dispensa suas bênçãos prioritariamente sobre os quem têm olhos azuis. Ele não começa seus castigos pelos mais miseráveis; não abandona milhões à míngua para vitalizar ajuntamentos que enriquecem evangelistas ávidos por fama e riqueza.

Desde aquela iniciação com o Osmar Ludovico, reaprendi a ler a Bíblia sem o exclusivismo das ferramentas frias da exegese. Por anos fui um gramático, pavimentei a estrada da minha fé com argumentações, mas comecei a ler as Escrituras com o coração. As novas lentes de leitura eram o amor e a paternidade de Deus. Desisti da pretensão de chegar à verdade dissecando textos. Eu queria perceber o recado de Deus nas entrelinhas, sem as vendas espirituais que me impedem de me sentir abraçado por ele. Sei da importância de não desvirtuar o sentido do texto com interpretações fantasiosas. Mas sei também que não é com análises sintáticas que a linda poesia do Espírito chegará ao meu coração. Se a letra mata e o Espírito vivifica, quero perceber o imperceptível; quero o que os olhos naturais não captam.

Desejo vivenciar a minha espiritualidade em atos devocionais. Pretendo transformar-me em um adorador que faz do “seguimento” de Jesus a melhor expressão de sua piedade. Liturgias centradas em emocionalismos desmerecem a tradição profética dos dois Testamentos. O melhor culto é defender a justiça. Deus não gosta de ajuntamentos com liturgias autocentradas, que só buscam canalizar o seu favor. O verdadeiro culto disponibiliza pessoas para cuidar de órfãos e de viúvas -- esta é a verdadeira religião, segundo Tiago. Qualquer verticalização do louvor só tem sentido se promover a verticalização do serviço. Espiritualidade é reconhecer Deus no rosto do pobre, do nu, do faminto e do desterrado; tudo o mais é individualismo travestido de piedade.

Anseio por reuniões que celebrem a graça, sem paranoias espirituais, sem alguém tentando infundir culpa para descansar no inescrutável amor de Deus. Quero participar de comunidades leves, sem as afetações próprias do glamour do mundo, onde os sorrisos sejam gratos e os abraços, sinceros. O caminhar de Jesus não combina com lugares espetaculosos. Viver os valores do seu reino prescinde de holofotes.

Muito obrigado, Osmar. Naquela tarde edifiquei um memorial; altar que me lembra o desafio de vivenciar o vasto amor do Pai.


FONTE: http://bit.ly/ahlvL7

Sérgio Pimenta: Música cristã com ótimo tempero!

Postado: quinta-feira, 18 de março de 2010 | Por : Yuri Padilha | Em: , , , , , , , , , , , , ,

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Ministérios de adoradores extravagantes, espontâneos ensaiados, mantras enxarcados de lágrimas, declarações beijoqueiras de amor, ministrações de auto-ajuda triunfalistas, atrevidas e pidonas; tudo isso sob ritmos longe de qualquer característica tupiniquim. Em meio a tudo isso, há quem sinta falta de poesia e a simplicidade de um só violão bem brasileiro. Dizem que gosto não se discute. Eu digo que o bom senso tem sido torturado.

Sérgio Pimenta foi um dos poetas cristãos mais influentes na música cristã brasileira. Integrante do "Vencedores Por Cristo" nos anos 70 e 80. Autor de músicas como Cada Instante, Você pode ter, Pescador (A MINHA PREFERIDA), Tudo ou nada, Resposta Certa, É preciso, Vem comigo, Fruto da semente, Para sempre e mais, Quando se está só, A moça do poço, Fonte. Todas elas cheias de identidade musical brasileira. Não era pra menos, Sérgio Pimenta era negro, cariocão e estava vivendo numa época extramente fértil na MPB - década de 70 - quando pintavam Elis Regina, Tom e Vinícius, Chico Buarque, Edu Lobo, o pessoal do Clube da Esquina, Caetano e Gil, Carlos Lyra, os Novos Baianos, Alceu, Fagner, Belchior, Mutantes, João Bosco e outros gênios mais, inclusive os meninos de Liverpool. Some todas essas influências a uma profunda intimidade a Cristo. E, aqui, entenda intimidade não por chamar Jesus de amado, dizer que quer tocá-lo, abraçá-lo ou até beijá-lo. Mas um conhecimento dos designíos cultivado desde a infância através do milagre das escrituras, submissão a Deus e muita mansidão.

Foi o Sérgio juntamente com um time formado por Aristeu Pires Jr. de Brasília, os paulistas Guilherme Kerr, Nelson Bomilcar, Gerson Ortega, Arthur Mendes que mudaram a música cristã brasileira no disco "De Vento Em Popa" (1979) do VPC, abandandonado as traduções e partindo pras composições autorais. Além de querer trazer pras igrejas muita barulheira desde baião a Beatles numa época onde os cultos eram nada menos que solenes e bem "engomados" com sua música sacra, dando espaço apenas para o órgão. Esse, sim, foi um verdadeiro "reteté".

Sinto falta de algo como Pimenta para dar sabor a essa comida sem identidade que é a música (mau) servida no meio cristão. Não, eu não esqueci das especiarias poéticas João Alexandre, Jorge Camargo, Carlinhos Veiga, Expresso Luz, os meninos do Crombie, Baixo & Voz e alguns raríssimos tempeiros. Mas eles não estão nas mesas. O que, infelizmente, se encontra por aí é só fast-food, nada de 'sustança'. Talvez, porque ainda somos crianças na fé, só tomamos leitinho. E criança, ainda tem o paladar em formação, adora comer bagana. A gente mata a fome, mas não se alimenta. Não basta o pão servido em letras belíssimas e harmonias bem preparadas, o que é apreciado é um sanduba musical repetitivo com uma ministração ketchup pobres em nutrientes. Por que não uma feijoada com farinha?

Pimenta no meu ouvido é refresco pra alma!



Download "De Vento Em Popa": http://bit.ly/bFXqbx

*** As informações sobre o Pimenta foram extraídas, principalmente, de um texto do seu amigo pessoal Quico Fagundes.